Sim,
eu tenho depressão. Não adianta mais tentar esconder, camuflar ou fingir que
ninguém percebeu que eu sumi. Eu sumi sim. Não só da vida virtual como da real
também.
A
depressão te faz ter poucas vontades na vida: dormir, vegetar, ou morrer de
vez. E eu passei por tudo isso.
Não
sei se já posso dizer que estou “curada”, mas acho que posso afirmar que o pior
já passou. Os surtos, ataques de choro,
pânico, e paranoias diminuíram ao ponto de ficarem escassos.
As
dúvidas, a angústia, aperto no peito continuam, mas consigo “controlar” esses
sentimentos. Como se fossem monstros que antes andavam soltos, e agora eu
consigo trancar numa caixinha por tempo indeterminado.
Porém,
o foco sempre está em sair disso. Fazer coisas que resgatem a alegria que eu
perdi em alguma esquina. A psicóloga e o psiquiatra dizem que tenho que me
esforçar e levantar da cama pra dar uma volta não importa o que esteja passando
pela minha cabeça, mesmo que eu precise me arrastar pra lutar contra a vontade
esmagadora de chorar por dias e noites sem parar.
Hoje,
tenho uma rotina de estudos e trabalho pra caramba. Me matriculei na academia,
leio um livro atrás do outro, organizei meus armários, fiz backup dos meus
arquivos, doei roupas velhas, vou ao cinema e contratei Netflix. E é assim: um
passinho atrás do outro no caminho da normalidade. Com dias difíceis e outros
mais fáceis, algumas recaídas e dias mais felizes. A depressão não se apaga com
um “Del”, mas sim com um longo – e talvez árduo – caminho em busca do amor
próprio.
