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domingo, 19 de julho de 2015

A tal da deprê


Sim, eu tenho depressão. Não adianta mais tentar esconder, camuflar ou fingir que ninguém percebeu que eu sumi. Eu sumi sim. Não só da vida virtual como da real também. 
A depressão te faz ter poucas vontades na vida: dormir, vegetar, ou morrer de vez. E eu passei por tudo isso.
Não sei se já posso dizer que estou “curada”, mas acho que posso afirmar que o pior já passou.  Os surtos, ataques de choro, pânico, e paranoias diminuíram ao ponto de ficarem escassos.
As dúvidas, a angústia, aperto no peito continuam, mas consigo “controlar” esses sentimentos. Como se fossem monstros que antes andavam soltos, e agora eu consigo trancar numa caixinha por tempo indeterminado.
Porém, o foco sempre está em sair disso. Fazer coisas que resgatem a alegria que eu perdi em alguma esquina. A psicóloga e o psiquiatra dizem que tenho que me esforçar e levantar da cama pra dar uma volta não importa o que esteja passando pela minha cabeça, mesmo que eu precise me arrastar pra lutar contra a vontade esmagadora de chorar por dias e noites sem parar.
Hoje, tenho uma rotina de estudos e trabalho pra caramba. Me matriculei na academia, leio um livro atrás do outro, organizei meus armários, fiz backup dos meus arquivos, doei roupas velhas, vou ao cinema e contratei Netflix. E é assim: um passinho atrás do outro no caminho da normalidade. Com dias difíceis e outros mais fáceis, algumas recaídas e dias mais felizes. A depressão não se apaga com um “Del”, mas sim com um longo – e talvez árduo – caminho em busca do amor próprio.