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domingo, 22 de maio de 2016

Noite de chuva



Era um dia frio e chuvoso. O filme na TV passava ininterrupto. Nós já havíamos perdido boa parte durante o beijo mais longo de todos os séculos e agora estávamos sentados no chão da sala, observando as luzes molhadas de chuva da sua rua.
O silêncio pairava entre nós, mas isso já não é um problema pra quem se conhece tão bem. O silêncio e aquela troca de olhares profundos, sob as luzes amarelas e úmidas dos postes, só significava uma coisa: destino.
Até podemos tentar, mas é impossível lutar contra essa força estranha que manda e desmanda em nossos caminhos. Hoje estamos onde deveríamos estar... juntos. Depois de tudo, de tanto mal, de tanta ofensa, de tanto rancor. 
E isso porque você nasceu pra mim e eu pra você e o nosso abraço é o nosso lar.
Você pega minha mão e faz aquele carinho tímido, ao mesmo tempo que intenso de quem sabe tudo que significa nossa presença nesse momento. Você e eu. Aqui, agora e sempre. 
O olhar de quem já lutou muito, de quem já se feriu, mas se resignou ao aceitar o amor supremo que o destino ordenou. É como se algo tivesse mudado e agora tínhamos certeza que não haveria mais finais para nós dois.
Nosso lugar é esse. Nossa vida é essa. Você pra mim e eu pra você, não importa o que aconteça, não há outra opção.

A mágica magia desse momento se apaga quando meus olhos marejam de lembrar que esse momento tão especial não passa de uma lembrança de algo que nunca aconteceu.

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